segunda-feira, 13 de junho de 2016

Ao meu presente especial

Passei por muitos momentos difíceis ao longo dos últimos 11 - 12 anos, e estes momentos foram responsáveis por me esculpir de certa forma. Acabei me tornando mais forte, mas também mais dura. Acabei me preparando para o pior, mas também esqueci - muitas vezes - de acreditar que algo de bom poderia me surpreender. Foram estratégias de sobrevivência para lidar com a solidão, mas que acabaram fazendo com que eu me fechasse mais e mais no meu mundo de dor e desamor.

Claro que neste caminho difícil sempre houveram pessoas do bem, amigos de verdade, que me estenderam a mão, me ofereceram o ombro e me deram palavras de ânimo para seguir adiante e tentar superar a mim mesma. E eu sou infinitamente grata a cada uma dessas pessoas maravilhosas que cruzaram meu caminho e me fizeram acreditar que nem toda a humanidade está perdida, que ainda existem pessoas que se importam umas com as outras e que fazem deste mundo algo um pouco menos insuportável.

Mas hoje eu quero falar de presente, quero falar de hoje e quero falar daquele presente surpresa que apareceu quando estava de bobeira e puff... simplesmente surpreendeu. Com ele foi assim, insistentemente obstinado a chamar minha atenção, depois de um ano do meu silêncio, ele acabou conseguindo algo mais. E o relacionamento aconteceu. Houveram momentos em que tudo foi tão complicado e confuso que, às vezes, não entendo como conseguimos chegar aqui, mas chegamos surpreendentemente muito melhores do que jamais poderíamos imaginar.

Ele que a cada dia me faz sorrir um pouquinho mais, faz eu me emocionar com suas fofuras meigas, faz eu me superar e querer ser melhor. Ele que me inspira os melhores sentimentos e atitudes, que me faz acreditar em tantas coisas que eu julgava perdidas para sempre dentro de mim. Ele que me traz paz com seu abraço de urso, que me faz perder o ar sério costumeiro e rir feito uma boba das besteiras bestas que a gente vê pela internet. Ele que tira meu sono com seu ronco persistente, que é chato e dramático - como eu, e que faz tudo parecer tão sincronizado.

Ele que me faz sentir, perceber e querer o amor.
Este amor que é construído dia após dia,
amor amigo,
amor cúmplice,
amor empático,
amor companheiro,
amor recíproco,
amor vida real, sem máscaras, sem faz de conta.

E é assim, sem me estender nessa pieguice que me inunda nestes últimos tempos, que eu quero simplesmente deixar registrado que ACREDITO em dias melhores, porque o presente tem se mostrado especial o suficiente para me fazer ir além da realidade sufocante que me cerca e aspirar mais, e ir em busca de mais, e fazer o que for preciso para que esta felicidade que sinto agora seja presente em outros tantos dias, até quando tiver de ser, porque eu mereço, porque a gente merece.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Como tratar um coração machucado?

Esses dias, sensibilidade à flor da pele, lágrimas à queima roupa, eu me sinto em frangalhos.
Cansada, quebrada, prejudicada, não há definição ou mesmo descrição completa sobre o que se passa dentro de mim.

Uma xícara de tristeza, duas colheres de incerteza,  400g de medo, três unidades de angústia e ambivalência o quanto baste. Eis a receita que faz meus dias mais amargos, menos prazerosos e muito mais difíceis. Mas como reverter isso? Como tratar minhas feridas e curar meu coração?

Quando as pessoas vivenciam situações de desamor elas sofrem, é óbvio, mas quando essas vivências se tornam rotina, mesmo em outros cenários e com outros personagens, o que há para fazer? Será que existe salvação para um coração que já não consegue alimentar a ilusão de ser acolhido em sua dor?

São dias tão difíceis e neles é bem mais fácil me ocupar das dores dos outros, de outras prioridades, porque olhar para mim, olhar para dentro de mim e ver o vazio, ver o caos que me consome, é muito perturbador. Assim como é perturbador saber que talvez não haja jeito para tamanha dor e desordem.

Na vida precisamos fazer escolhas e, em todas as escolhas, há perdas e ganhos. Será que as escassas gotas de felicidade são capazes de compensar a desilusão de uma vida inteira? Será que o amor é suficiente para abstrair tudo aquilo com o que não sei lidar?

Eu queria que houvesse uma receita...

quarta-feira, 18 de maio de 2016

As voltas da vida

Acho que a vida da gente é como um novelo de lã. Fofinho, bonito, bem organizado, mas completamente inútil nesta condição. O novelo se torna útil justamente ao se desfazer, ao se enrolar, embolar, enroscar. Ele fica muito mais fofinho e bonito num tapete de lá, num cachecol, num agasalho qualquer. Ele admite formas de organização muito mais complexas, em ponto-cruz, ou em crochê, do que contido num novelo.

A beleza da vida é justamente essa. Você pode se guardar, se manter arrumadinho, sem arranhões, sem perdas, contudo, como Vinicius de Moraes, prefiro acreditar que "a vida só se dá pra quem se deu. Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu". A vida se constrói assim, nesse caos cheio de sentido, nesse descontrole, perfeitamente aceitável, de si mesmo.

E, a cada volta, a gente se sente um pouco mais quebrado, cansado, desiludido, mas eu tenho esperança de que são essas voltas que nos fazem ser quem somos e chegar cada vez mais perto daquilo que almejamos.

A minha dor hoje é somada à dor de tantos outros. E eu acredito que a bagunça que toma conta de mim, trará um pouco de crescimento mais tarde. Eu prefiro seguir em frente e acreditar que haverá um amanhã melhor, porque o hoje eu prefiro não lembrar. E que haverá momento para escancarar os sorrisos contidos, as risadas silenciadas. Haverá amor para aquecer as noites que foram precedidas por lágrimas e haverá um tempo melhor, um tempo em que se terá tempo para o amor e que a preocupação com o ser amado inunde de prazer aquele que ama.

Enquanto houver "algo em que acreditar" deste lado / Aqui do outro eu "tentarei" me orientar

sábado, 7 de maio de 2016

Por favor, seja forte!

Hoje eu acordei com febre, dificuldade de respirar e um monte de outros sintomas desagradáveis...
Me sinto só ao extremo. Conecto no Facebook e a página me diz: Bom dia, Amanda. Este foi o único bom dia que recebi, esta é a única companhia com a qual poderei contar no dia de hoje. Sinto-me completamente triste, torço por um pouco de alento, mas é a voz dentro de mim que me faz cair na real: Você está sozinha, não espere consolo de ninguém, você só pode contar consigo mesma.


Vejo as pessoas alvoroçadas pelo dia das mães. E quanta falta me faz uma mãe, alguém que se importe se ainda estou viva, que ouça meus sofrimentos e não me deixe sofrer além do que as causas merecem. Que falta faz um abraço, um ouvido pra escutar que eu preciso de ajuda. Mas o que me resta é tentar administrar esses pedaços nos quais me deixei transformar.


Às vezes a única alternativa é seguir adiante, mesmo sem forças, mesmo sem vontade, mesmo sem saber como fazer...


Amanda, por favor, seja forte!

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Correr...

Vagando pelas redes sociais me deparei com uma campanha publicitária da Reebok. Nela, a marca nos lembra que nossa expectativa média de vida são 71 anos, isto é 25.915 dias, e precisamos cuidar bem do nosso corpo, precisamos aproveitar cada minuto do nosso tempo, correndo.
(Veja a propaganda neste link: https://www.youtube.com/watch?v=bcJGh32e2Mw)

E pensar neste número, por mais generoso que seja, dá um certo aperto no peito, pois trata de relembrar que temos uma previsão limitada de vida. E isso gera, pelo menos em mim, uma angústia e inquietação para não perder tempo.

Quanto tempo desperdiçado em atividades, pessoas e sentimentos que não acrescentam em nada à vida? Quanto tempo gasto com inutilidades, autoagressões e baixo-astral? Quanto tempo ainda dispomos? Ao contrário da propaganda, não podemos olhar para nossas vidas e precisar quantos dias ainda nos restam.

Mas, a despeito de todas as pesquisas e estudos na área demográfica, ainda nos sentimos imortais. Acreditamos que temos todo o tempo do mundo. E seguimos a desperdiçar nossos momentos com o que não presta.

Eu me pergunto: O que faria se soubesse exatamente quantos dias me restam?
O que mudaria em termos de prioridade?
No que investiria meu tempo e energia?

Nós somos infinitos, assim como finitos na mesma proporção.
Como conciliar esse paradoxo existencial?
Como viver melhor e aproveitar ao máximo os dias?

A peça apresenta, claro que porque convém a marca tal solução, a ideia da corrida. Correr para cuidar do corpo, correr para manter-se vivo. Correr para marcar sua jornada tão limitada e transcender seus próprios limites. E então, mais uma vez eu questiono: Por que correr? Para onde correr? Qual é o seu objetivo?

Como disse Rosa Luxemburgo, "quem não se movimenta, não sente as correntes que o prendem". Pense nas suas trajetórias possíveis, em seus sonhos, nas metas que ainda não realizou... e corra! Corra como se tudo dependesse disso, mas - POR FAVOR - não esqueça de admirar a paisagem, porque eu realmente acredito que há mais prazer no caminho do que no destino.

Mantenha-se em movimento.