Quanto mais eu penso nos tempos que vivemos, mais forte é a sensação de que vivemos uma época de bloqueio intelectual, sob os mais diversos aspectos da existência e experiência humana...
Primeiramente, podemos observar o acúmulo de atividades, de informações, de obrigações e disso decorre um intenso cansaço, desgaste e, em alguns momentos, colapso. Ficamos paralisados diante de tantos estímulos e não conseguimos respondê-los adequadamente.
Em outra instância, temos uma busca por explicar o cotidiano que se centra não mais na razão ou na ciência, mas em outros aspectos mais subjetivos, como espiritualidade, religiosidade, valores individuais e sensações experimentadas individualmente. Este fenômeno nos remete a um certo e
essencialismo, pois os processos sociais passam a ser reduzidos a apreensão do sujeito e de um subjetivismo, muitas vezes retirado de "teorias coaching".
Finalmente temos a deficiente formação escolar, que constrói sujeitos desprovidos da curiosidade investigativa, preguiçosos e acomodados ao trinômio: google - netflix - redes sociais, nós geralmente buscamos informações superficiais para as questões que surgem, mas dificilmente nos aprofundamos em quaisquer assuntos.
E esse bloqueio intelectual traz sérias consequências, que já são percebidas em nossa sociedade. Dentre as quais podemos destacar: apatia política, superficialidade nas relações, desinteresse acadêmico, desequilíbrio nos afetos, fanatismo religioso e a prevalência dos interesses do eu mediante o todo.
É preocupante observar que cada vez mais formamos pessoas desprovidas da capacidade de se enxergar como sujeitos de um processo histórico, responsáveis e implicados socialmente. E a apatia, incapacidade de refletir e buscar transformar a realidade que nos cerca faz com que sigamos por um caminho de pouco desenvolvimento, seja no âmbito social, político ou intelectual, propriamente.
Desbloquear a tela de um smarphone é simples, mas como podemos encontrar um mecanismo capaz de nos desbloquear. Como podemos reiniciar nosso sistema operacional e retomar a capacidade de enxergar um pouco além da nossa tela? Como podemos experimentar os aspectos humanos subjetivos sem esquecer as questões maiores que nos cercam e que precisam ser contempladas com nossos esforços?
Precisamos recordar que o ser humano é múltiplo e mover nossas ações para o encontro com essa múltipla complexidade. Se precisamos de uma experiência espiritual, se precisamos encontrar o sentido de nossas vidas, não devemos deixar de lado o aspecto coletivo de tudo aquilo que contempla nossa humanidade, pois como cantava Chico Science: "o homem coletivo sente a necessidade de lutar".
E, assim, não devemos fugir às lutas que devem ser lutadas. Não podemos parar de exercitar os músculos que dão sentido à nossa existência como sujeitos transformadores (não apenas de nós mesmos) da realidade que nos rodeia.
quarta-feira, 18 de julho de 2018
quinta-feira, 21 de junho de 2018
Segue o baile...
Há dias (meses) vejo a janela do blog aberta, mas não me ocorre escrever simplesmente nada... Mas ela está sempre lá, me lembrando meu silêncio, me cobrando uma justificativa...
Engraçada a relação que criamos com a tecnologia, mesmo com toda praticidade em tantos aspectos há tantos pontos negativos que é difícil chegar a uma opinião justa sobre seu uso.
Às vezes cansa ligar o computador e ler as mesmas informações em diferentes páginas. Ler idiotices por toda parte e se manter inalterado é um tipo de dom. Infelizmente, o comum é observarmos comentários maldosos, notícias falsas, preconceitos vomitados pela rede, e muito pouco podemos fazer para nos proteger.
No fim, resta o distanciamento. Aquela história de que "se não pode vencer o inimigo, junte-se a ele" não dá certo. Não consigo retrucar ou argumentar em várias situações do cyberespaço, muito menos entrar num consenso, minha saída quase sempre é abandonar a discussão (ou nem entrar nela).
Parece que, via de regra, é sempre mais útil ignorar ou fugir de certas pessoas e situações. Nestes tempos em que vivemos, manter a saúde mental vale mais do que convencer idiotas de sua idiotice. No mais, vida que segue...
Engraçada a relação que criamos com a tecnologia, mesmo com toda praticidade em tantos aspectos há tantos pontos negativos que é difícil chegar a uma opinião justa sobre seu uso.
Às vezes cansa ligar o computador e ler as mesmas informações em diferentes páginas. Ler idiotices por toda parte e se manter inalterado é um tipo de dom. Infelizmente, o comum é observarmos comentários maldosos, notícias falsas, preconceitos vomitados pela rede, e muito pouco podemos fazer para nos proteger.
No fim, resta o distanciamento. Aquela história de que "se não pode vencer o inimigo, junte-se a ele" não dá certo. Não consigo retrucar ou argumentar em várias situações do cyberespaço, muito menos entrar num consenso, minha saída quase sempre é abandonar a discussão (ou nem entrar nela).
Parece que, via de regra, é sempre mais útil ignorar ou fugir de certas pessoas e situações. Nestes tempos em que vivemos, manter a saúde mental vale mais do que convencer idiotas de sua idiotice. No mais, vida que segue...
sábado, 15 de abril de 2017
A roda gigante
Eu olho para minha vida, tento analisar as situações e a imagem mais lógica que me aparece como metáfora é a de uma roda gigante. Parece, muitas vezes, que vivemos presos em um ciclo - são altos, meios, baixos, meios e volta tudo outra vez.
E presa neste ciclo eu me vejo hoje. Sinto minhas forças esgotarem - um desfalecimento geral no meu corpo, na minha cabeça, nas minhas emoções.Qual é o sentido disso tudo? Se a vida tem a cor que a gente dá a ela, do que me adianta pintá-la com as mais bonitas cores se eu sempre vou estar presa a um ciclo de acontecimentos que se repetem e do qual não tenho controle?
Fugir, saltar, quebrar. Nada parece fazer sentido mesmo. E sempre que eu me deparo com possibilidades tão escassas de fazer algo novo em minha vida, ou de fazer de minha vida algo novo, sinto que a depressão me consome novamente. Sem ânimo, sem forças, sem esperança, apenas presa a um ciclo catastrófico e limitado de experiências, aprendizados e possibilidades de evolução.
E me questiono, de verdade, se estou aprendendo alguma coisa, se mais do mesmo é suficiente pra me fazer uma pessoa melhor. Eu começo a duvidar de tudo isso, porque afinal às vezes a sensação que eu tenho é que por mais que eu ande, nunca saio do lugar. Por mais que eu viva experiências diferentes, com pessoas diferentes, o rumo que as coisas tomam é sempre o mesmo.
Eu sofro, me firo, gasto minhas energias e quanto mais me debato, mais presa eu me sinto nessa roda gigante, que mais parece com aqueles equipamentos que se usam para treinar ratos em laboratório. E talvez esta seja uma imagem ainda melhor: eu, como um rato de laboratório, presa em um circuito infinito.
Quando será que a experiência termina e eu realmente ganho liberdade? A julgar pelos ratos, isso dificilmente acontece. A cobaia morre, exaurida, e a tese é provada ou não. Parece que o único motivo de eu estar aqui é pra provar a tese de alguém. E não há espaço para eu, para meus anseios, para minhas vontades.
Infinita é minha sede. Mas eu não acho que haja "água" suficiente para dissipá-la. No momento, quero ficar apenas só, nocauteada, jogada no vazio existencial que me suga. Como seguir adiante diante disso? Como seguir em frente se a cratera à minha frente parece ser tão maior do que qualquer capacidade que eu tenha para transpô-lo?
E presa neste ciclo eu me vejo hoje. Sinto minhas forças esgotarem - um desfalecimento geral no meu corpo, na minha cabeça, nas minhas emoções.Qual é o sentido disso tudo? Se a vida tem a cor que a gente dá a ela, do que me adianta pintá-la com as mais bonitas cores se eu sempre vou estar presa a um ciclo de acontecimentos que se repetem e do qual não tenho controle?
Fugir, saltar, quebrar. Nada parece fazer sentido mesmo. E sempre que eu me deparo com possibilidades tão escassas de fazer algo novo em minha vida, ou de fazer de minha vida algo novo, sinto que a depressão me consome novamente. Sem ânimo, sem forças, sem esperança, apenas presa a um ciclo catastrófico e limitado de experiências, aprendizados e possibilidades de evolução.
E me questiono, de verdade, se estou aprendendo alguma coisa, se mais do mesmo é suficiente pra me fazer uma pessoa melhor. Eu começo a duvidar de tudo isso, porque afinal às vezes a sensação que eu tenho é que por mais que eu ande, nunca saio do lugar. Por mais que eu viva experiências diferentes, com pessoas diferentes, o rumo que as coisas tomam é sempre o mesmo.
Eu sofro, me firo, gasto minhas energias e quanto mais me debato, mais presa eu me sinto nessa roda gigante, que mais parece com aqueles equipamentos que se usam para treinar ratos em laboratório. E talvez esta seja uma imagem ainda melhor: eu, como um rato de laboratório, presa em um circuito infinito.
Quando será que a experiência termina e eu realmente ganho liberdade? A julgar pelos ratos, isso dificilmente acontece. A cobaia morre, exaurida, e a tese é provada ou não. Parece que o único motivo de eu estar aqui é pra provar a tese de alguém. E não há espaço para eu, para meus anseios, para minhas vontades.
Infinita é minha sede. Mas eu não acho que haja "água" suficiente para dissipá-la. No momento, quero ficar apenas só, nocauteada, jogada no vazio existencial que me suga. Como seguir adiante diante disso? Como seguir em frente se a cratera à minha frente parece ser tão maior do que qualquer capacidade que eu tenha para transpô-lo?
terça-feira, 25 de outubro de 2016
Aos sonhos que acordam
Não sou daquelas pessoas que sonham muito, melhor dizendo, geralmente não lembro daquilo que sonhei durante a noite. Há quem diga que sonhos são fragmentos do que vivemos, pensamos ou desejamos ao longo do dia. Há quem diga que são momentos nos quais podemos extravasar algumas experiências. Há quem veja o sonho como uma mera junção de cenas sem sentido algum depois que acordamos.
Eu lembro da minha primeira redação "premiada" na escola. Estava na sétima série, eu acho, e a professora gostou tanto do que escrevi que disse que seria publicado num material qualquer produzido pela rede de escolas da qual a minha fazia parte. Se foi ou não publicada, ela ficou com a original e eu só lembro do tema: sonhos, e que era um texto bem bonitinho no qual eu abordava diferentes conceitos e interpretações sobre os sonhos.
O fato é que na semana passada, diante desta minha aridez em sonhar quando estou dormindo, tive um sonho. Era tão real que acordei, feliz e bastante perturbada também, meio que tentando me situar na realidade. E, neste caso, esse sonho foi um alento diante da realidade dura que tenho enfrentado em meus dias e da qual chego a acreditar que não há escapatória.
Outras vezes, porém, eu acredito que sonhos assim podem significar algo mais. Podem inspirar um novo modo de viver, de ver as coisas e pessoas, de pensar os problemas e achar soluções para as dificuldades e os pesadelos do cotidiano. Acordei daquele sonho, que tratava da resolução do meu maior problema atual, e o misto de felicidade e tristeza que me acompanhou naquele dia culminou numa possibilidade, ainda que remota, de resolver essa problemática.
Em outros tempos eu levaria isso como um sinal. E eu sinto falta dessa Amanda que cria, que enxergava as mãos cuidadosas de Deus em tudo, acho que esta fé bonitinha faz a vida mais leve, mais plena. Naquele dia eu apenas tentei abrir bem os olhos e ver se estava acordada. Cética, eu sorri. E abracei aquela possibilidade, por mais remota que me pareça.
Os problemas, na maioria das vezes, podem nos fazer esquecer dos nossos sonhos, da nossa capacidade de transcendência, da nossa fé bonitinha. E eu sei que aquela Amanda cheia de fé pode até não estar mais por aqui, mas sei que eu acredito que coisas boas podem acontecer. E acredito que mereço acordar de um sonho bom e viver uma vida boa, como a do sonho.
O que importa hoje é não esquecer de sonhar, dormindo ou acordada. E não esquecer de quem eu sou, de onde eu vim e para onde eu quero ir. Tenho planos, tenho desejos, tenho sonhos. E, principalmente, tenho uma vida pela frente para realizar o que pode ser realizado e superar a gélida sensação de que não há mais saída. Sempre há e eu hei de encontrá-la, em sonhos, acordada, perdida em meio aos dias sombrios, ou aos cheios de cor, que tenho pela frente.
Vamos em frente (enfrente)!
Eu lembro da minha primeira redação "premiada" na escola. Estava na sétima série, eu acho, e a professora gostou tanto do que escrevi que disse que seria publicado num material qualquer produzido pela rede de escolas da qual a minha fazia parte. Se foi ou não publicada, ela ficou com a original e eu só lembro do tema: sonhos, e que era um texto bem bonitinho no qual eu abordava diferentes conceitos e interpretações sobre os sonhos.
O fato é que na semana passada, diante desta minha aridez em sonhar quando estou dormindo, tive um sonho. Era tão real que acordei, feliz e bastante perturbada também, meio que tentando me situar na realidade. E, neste caso, esse sonho foi um alento diante da realidade dura que tenho enfrentado em meus dias e da qual chego a acreditar que não há escapatória.
Outras vezes, porém, eu acredito que sonhos assim podem significar algo mais. Podem inspirar um novo modo de viver, de ver as coisas e pessoas, de pensar os problemas e achar soluções para as dificuldades e os pesadelos do cotidiano. Acordei daquele sonho, que tratava da resolução do meu maior problema atual, e o misto de felicidade e tristeza que me acompanhou naquele dia culminou numa possibilidade, ainda que remota, de resolver essa problemática.
Em outros tempos eu levaria isso como um sinal. E eu sinto falta dessa Amanda que cria, que enxergava as mãos cuidadosas de Deus em tudo, acho que esta fé bonitinha faz a vida mais leve, mais plena. Naquele dia eu apenas tentei abrir bem os olhos e ver se estava acordada. Cética, eu sorri. E abracei aquela possibilidade, por mais remota que me pareça.
Os problemas, na maioria das vezes, podem nos fazer esquecer dos nossos sonhos, da nossa capacidade de transcendência, da nossa fé bonitinha. E eu sei que aquela Amanda cheia de fé pode até não estar mais por aqui, mas sei que eu acredito que coisas boas podem acontecer. E acredito que mereço acordar de um sonho bom e viver uma vida boa, como a do sonho.
O que importa hoje é não esquecer de sonhar, dormindo ou acordada. E não esquecer de quem eu sou, de onde eu vim e para onde eu quero ir. Tenho planos, tenho desejos, tenho sonhos. E, principalmente, tenho uma vida pela frente para realizar o que pode ser realizado e superar a gélida sensação de que não há mais saída. Sempre há e eu hei de encontrá-la, em sonhos, acordada, perdida em meio aos dias sombrios, ou aos cheios de cor, que tenho pela frente.
Vamos em frente (enfrente)!
quarta-feira, 21 de setembro de 2016
Sobre a arte de florescer...
É quase primavera e, apesar de na região em que moro não haver uma diferenciação das estações do ano, esta é a minha estação favorita.
De todas as metáforas que penso para a vida a de florescer é sem dúvida a mais presente e significativa. Na verdade se tratam de ciclos... E a vida é repleta destes ciclos. Você semeia algo, alguma coisa, um sentimento, um pensamento, um projeto, etc... E depois você rala, dá duro mesmo, para cuidar daquilo que plantou, porque muitas vezes por um mero descuido tudo vai por água a baixo.
Mas como você não quer isso, você realmente se esforça e dá tudo de si para poder manter sua semeadura a salvo de pragas. Daí chega o momento em que você vê seu projeto "florescer", ainda não há frutos concretos do seus esforços, apenas um presságio do que virá, mas isso já é suficiente para lhe nutrir de força e destemor para continuar esperando.
A primavera, então, antes de significar a colheita, a recompensa pelos esforços empreendidos, aponta para uma chama de esperança, isto é, nos faz perceber que todo o nosso esforço não foi em vão e que mais cedo ou mais tarde poderemos alcançar as coisas pelas quais estamos nos empenhando.
Às vezes a vida da gente parece uma seca, nada vinga, nem mesmo uma flor aparece em nosso caminho. Hoje eu sinto esse desânimo tomar conta de mim. A tristeza por me esforçar tanto e ver tão poucos sinais de que meus esforços estão sendo direcionados para um objetivo viável.
E eu me pergunto se minha plantação está realmente acontecendo em terreno fértil. Porque não adianta utilizar as melhores sementes, regar religiosamente, adubar cuidadosamente e acompanhar carinhosamente o desenvolvimento da nossa semeadura. Se a terra for seca, nada dali brotará...
Existem esses momentos cruciais na vida da gente em que é preciso ser humilde o bastante para se abaixar até o solo e ver o que há ali. Ver as bases sobre as quais estamos construindo nossa história.
Olhar bem de perto para nossas sementes e compreender se elas tem capacidade de brotar. É preciso enxergar tudo aquilo que compõe nossa vida e questionar se esses elementos estão funcionando harmonicamente e colaborando para chegarmos aos nossos objetivos.
Enfrentar nossos piores temores e entender se temos a capacidade de nos doarmos por um propósito que pode não vingar. Porque simplesmente não há certezas no caminho, são apostas de tudo ou nada e precisamos pesar bem se temos condições de apostar para perder tudo, se já nos permitimos ganhar tudo.
A vida é hoje, A vida é agora. E preciso aprender a lidar com respostas e resultados que não virão hoje ou agora. Porque a fluidez da vida depende das nossas escolhas de hoje que reverberarão no amanhã. Mas o que eu quero para amanhã? Será que o que tenho hoje em mãos pode se transformar no que quero ter amanhã? Será que minhas escolhas são coerentes com minhas buscas?
Até onde posso enxergar, a vida traz necessariamente mais perguntas do que respostas. E eu preciso aprender a responder ao dia a dia da maneira mais honesta possível, seja para mim, seja para quem faz parte da minha vida. Não dá pra jogar sementes a ermo, não dá para fingir que a colheira não importa. Tudo importa. O hoje, o amanhã e o futuro são construções que nascem do agora.
E se a cada dia as coisas não estão como eu gostaria, e precisaria, que estivessem, será que não é hora de reconsiderar as possibilidades, as escolhas e tentar ver as coisas sob um ângulo diferente? Ficam mais algumas perguntas...
De todas as metáforas que penso para a vida a de florescer é sem dúvida a mais presente e significativa. Na verdade se tratam de ciclos... E a vida é repleta destes ciclos. Você semeia algo, alguma coisa, um sentimento, um pensamento, um projeto, etc... E depois você rala, dá duro mesmo, para cuidar daquilo que plantou, porque muitas vezes por um mero descuido tudo vai por água a baixo.
Mas como você não quer isso, você realmente se esforça e dá tudo de si para poder manter sua semeadura a salvo de pragas. Daí chega o momento em que você vê seu projeto "florescer", ainda não há frutos concretos do seus esforços, apenas um presságio do que virá, mas isso já é suficiente para lhe nutrir de força e destemor para continuar esperando.
A primavera, então, antes de significar a colheita, a recompensa pelos esforços empreendidos, aponta para uma chama de esperança, isto é, nos faz perceber que todo o nosso esforço não foi em vão e que mais cedo ou mais tarde poderemos alcançar as coisas pelas quais estamos nos empenhando.
Às vezes a vida da gente parece uma seca, nada vinga, nem mesmo uma flor aparece em nosso caminho. Hoje eu sinto esse desânimo tomar conta de mim. A tristeza por me esforçar tanto e ver tão poucos sinais de que meus esforços estão sendo direcionados para um objetivo viável.
E eu me pergunto se minha plantação está realmente acontecendo em terreno fértil. Porque não adianta utilizar as melhores sementes, regar religiosamente, adubar cuidadosamente e acompanhar carinhosamente o desenvolvimento da nossa semeadura. Se a terra for seca, nada dali brotará...
Existem esses momentos cruciais na vida da gente em que é preciso ser humilde o bastante para se abaixar até o solo e ver o que há ali. Ver as bases sobre as quais estamos construindo nossa história.
Olhar bem de perto para nossas sementes e compreender se elas tem capacidade de brotar. É preciso enxergar tudo aquilo que compõe nossa vida e questionar se esses elementos estão funcionando harmonicamente e colaborando para chegarmos aos nossos objetivos.
Enfrentar nossos piores temores e entender se temos a capacidade de nos doarmos por um propósito que pode não vingar. Porque simplesmente não há certezas no caminho, são apostas de tudo ou nada e precisamos pesar bem se temos condições de apostar para perder tudo, se já nos permitimos ganhar tudo.
A vida é hoje, A vida é agora. E preciso aprender a lidar com respostas e resultados que não virão hoje ou agora. Porque a fluidez da vida depende das nossas escolhas de hoje que reverberarão no amanhã. Mas o que eu quero para amanhã? Será que o que tenho hoje em mãos pode se transformar no que quero ter amanhã? Será que minhas escolhas são coerentes com minhas buscas?
Até onde posso enxergar, a vida traz necessariamente mais perguntas do que respostas. E eu preciso aprender a responder ao dia a dia da maneira mais honesta possível, seja para mim, seja para quem faz parte da minha vida. Não dá pra jogar sementes a ermo, não dá para fingir que a colheira não importa. Tudo importa. O hoje, o amanhã e o futuro são construções que nascem do agora.
E se a cada dia as coisas não estão como eu gostaria, e precisaria, que estivessem, será que não é hora de reconsiderar as possibilidades, as escolhas e tentar ver as coisas sob um ângulo diferente? Ficam mais algumas perguntas...
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