Não sou uma esportista nata (ou minimamente talentosa). Não tenho muita paciência e determinação para musculação. Não gosto de correr. Não sei nadar direito. Meu espírito competitivo é um tanto preguiçoso.Tenho cifose e uma coluna cheia de outras mazelas. E minha postura... Aff! De modo que, apesar de todo meu jeito desengonçado de ser, minha atividade física favorita e principal é a dança. E seguia, dançando e errando e tentando e desistindo e voltando e dançando de novo... Até que um dia um colega de trabalho veio partilhar comigo sua experiência no pilates. Até então eu só havia ouvido falar muito por cima e por pessoas muito "phynnas e ladies" sobre tal atividade.
E no meio da empolgada explicação e defesa do pilates feita por esse colega eu comecei a pesquisar. Rapidinho encontrei uma clínica acessível, em todos os sentidos e direções, e marquei uma aula experimental. Nossa! Encontrei meu lugar. Fiquei encantada com tudo o que experimentei, pois realmente vi em meio aqueles aparelhos de tortura medieval que aquela era a atividade que mais supria as minhas necessidades de movimento, seja para cuidar do corpo em si, seja para me auxiliar na dança (flexibilidade, equilíbrio e consciência corporal), seja pela dimensão espiritual - de contato comigo mesma e de autoconhecimento - que a prática de pilates me possibilitava.
O mais bacana é que fazem apenas 13 meses dessa primeira experiência, e mesmo tendo ficado boa parte desse tempo afastada, meu corpo sentia falta, implorava. Quem já fez aula de pilates, ainda que tenha sido apenas uma aula experimental, consegue ter um vislumbre rápido do que estou falando. Não se trata de ganhar massa muscular e ficar "vistosa", mas sim de explorar o potencial do corpo, a força, e de sentir um bem estar absurdo com isso.
Hoje eu voltei, depois de mais de três meses sem qualquer tipo de atividade física (por ordem médica) e foi difícil e incrível. Apesar de meus músculos me denunciarem (se duvidar, estão tremendo até agora), perceber a reação do meu corpo aos exercícios propostos e experimentar o bem estar de me sentir alongada e lotada de dopaminas não tem preço. Indico, mais que indico!
terça-feira, 19 de novembro de 2013
Incômodas questões
Um dos fatos mais chocantes da vida é aquele momento, aquele justo e doloroso momento, em que nos tornamos conscientes das projeções que estabelecemos em nossos relacionamentos com os outros. Perdoem-me a forma genérica e pluralizada que assumo para lhes escrever neste momento. Mas de certa forma eu quero não ser a única a me comportar dessa maneira e, escrevendo assim, sinto que posso criar cumplicidade com meus leitores.
O fato é que tenho percebido que as projeções estão presentes e que justamente o que mais me incomoda em minhas trocas com outras pessoas é principalmente o que há de mais recalcado dentro de mim. Já imaginaram a complicação disso? Imaginar que tudo aquilo que mais me incomoda e me tira do sério nas outras pessoas, são características mal resolvidas em mim. Nossa, eis uma constatação chocante e, mais do que isso, um incômodo.
Como lidar com o fato de nos desentendermos e nos afastarmos de pessoas que se portam de determinada forma, justamente por nos sentirmos incomodados por sermos de alguma forma do mesmo jeito? Como lidar com a falta de aceitação de si que acaba por se refletir nas relações com o exterior? Se tudo o que não integramos, de alguma forma, é "expulso de dentro de nós", como lidar com essas catarses e descontroles?
Sei que a tomada de consciência dessas situações é crucial no processo de superação das mesmas, mas às vezes me bate uma insegurança tamanha. A necessidade de controle fala mais alto e a imprevisibilidade desses fenômenos assusta. Há quem diga que terapia é luxo, que é modinha, mas mais do que nunca percebo que é necessária.
O processo de tomada de consciência e autoconhecimento não é pontual, mas processual e não tem fim. Às vezes a bagunça é tão grande que não damos conta desse processo sozinhos, mais do que nunca eu reconheço o valor da Psicologia nesse meu caminho. Assim, mais do que problematizar e externalizar esses estranhamentos e dúvidas que me cercam, aprendo a olhar para eles e perceber que de certa forma isso faz parte de quem sou. Aos poucos vou costurando esses pedaços e me entendendo um pouco melhor, me tornando inteira de verdade...
O fato é que tenho percebido que as projeções estão presentes e que justamente o que mais me incomoda em minhas trocas com outras pessoas é principalmente o que há de mais recalcado dentro de mim. Já imaginaram a complicação disso? Imaginar que tudo aquilo que mais me incomoda e me tira do sério nas outras pessoas, são características mal resolvidas em mim. Nossa, eis uma constatação chocante e, mais do que isso, um incômodo.
Como lidar com o fato de nos desentendermos e nos afastarmos de pessoas que se portam de determinada forma, justamente por nos sentirmos incomodados por sermos de alguma forma do mesmo jeito? Como lidar com a falta de aceitação de si que acaba por se refletir nas relações com o exterior? Se tudo o que não integramos, de alguma forma, é "expulso de dentro de nós", como lidar com essas catarses e descontroles?
Sei que a tomada de consciência dessas situações é crucial no processo de superação das mesmas, mas às vezes me bate uma insegurança tamanha. A necessidade de controle fala mais alto e a imprevisibilidade desses fenômenos assusta. Há quem diga que terapia é luxo, que é modinha, mas mais do que nunca percebo que é necessária.
O processo de tomada de consciência e autoconhecimento não é pontual, mas processual e não tem fim. Às vezes a bagunça é tão grande que não damos conta desse processo sozinhos, mais do que nunca eu reconheço o valor da Psicologia nesse meu caminho. Assim, mais do que problematizar e externalizar esses estranhamentos e dúvidas que me cercam, aprendo a olhar para eles e perceber que de certa forma isso faz parte de quem sou. Aos poucos vou costurando esses pedaços e me entendendo um pouco melhor, me tornando inteira de verdade...
terça-feira, 12 de novembro de 2013
Sobre dar e receber
Carinho, amor, felicidade, verdade, presente, escuta, atenção... A cada dia que passa eu reparo e confirmo a tese de que cada um só dá aquilo que tem. E que, ainda, existem aqueles que dão, esperando a troca, ou seja, esperando receber algo que o outro tem, em contrapartida. Existem aqueles que dão, mas tem dificuldade de receber. Existe aqueles que transbordam o que são de tal modo que dão e nem se apercebem, pois isso faz parte de sua natureza. E desta feita, não esperam nada de volta, se vier, é lucro. Devem existir muitas outras formas de dar e de receber, contudo prefiro me deter a estas.
Acho muito honesto aqueles que conseguem expressar claramente que tem em mente dar e receber na mesma proporção. Mas será que é possível precisar, quantificar, mensurar esse objeto que damos e aquele outro que recebemos? Quando se trata de bens materiais, tudo bem, até dá. Mas e os sentimentos? E a dedicação? A boa vontade? O amor? Será que dá para medir? Ou melhor, será que dá para cobrar: "Ei fulano, eu te amei com 'tal intensidade', não é justo você me amar apenas com 'tal menos trinta intensidade'"? Difícil, não? Eu acho.
De outra forma, imagina aquela pessoa que ama, que se doa, que se dedica, que - a seu modo - ama intensamente, mas simplesmente não se sente confortável com as atitudes de amor que outras pessoas tentam lhe direcionar. Acredito que de uma forma pura, é raro encontrar alguém assim, mas em menor proporção muitas pessoas apresentam alguma dificuldade em receber amor. Seja por orgulho, por constrangimento, por medo, muitos recusam o amor que bate à sua porta e se esquivam.
E deste modo, vejo o "amor-transbordamento" como uma manifestação bastante interessante e coerente com o que se fala por aí sobre amor. Por "amor-transbordamento" eu compreendo aquele amor que surge dentro do ser que ama e transborda/irradia/espalha ao seu redor. É fluído, é gratuito, é autêntico. Independe do mérito do ser amado ou do que este tenha a oferecer em contrapartida. É amor que se doa. Utópico? Quem sabe...
Penso que, em meio ao caos em que se constrói nossa sociedade, muitas "coisas" estão defeituosas: Pessoas, valores, sentimentos e outros mais. Mas antes de levantar uma discussão moral, é interessante perceber que essa "programação cultural" tem nos tornado, enquanto seres humanos, diferentes dos nossos pais, avós, bisavós, etc.
Pensar e repensar a cultura que nos envolve e nos forma é fundamental, mas também é fundamental experimentar. Sentir, perceber, estar aberto às diversas formas de lidar com sentimentos. Permitir, conhecer, tentar criar laços de sociabilidade novos, baseados naquilo que acreditamos. É tempo de ousar, de construir a própria história e não apenas seguir modelos pré-concebidos. São novos tempos, são novas oportunidades. Por que não?
Fica a provocação no ar e infinitas reticências, afinal, quando se trata do humano e de suas relações, existem mais conjecturas do que certezas...
Acho muito honesto aqueles que conseguem expressar claramente que tem em mente dar e receber na mesma proporção. Mas será que é possível precisar, quantificar, mensurar esse objeto que damos e aquele outro que recebemos? Quando se trata de bens materiais, tudo bem, até dá. Mas e os sentimentos? E a dedicação? A boa vontade? O amor? Será que dá para medir? Ou melhor, será que dá para cobrar: "Ei fulano, eu te amei com 'tal intensidade', não é justo você me amar apenas com 'tal menos trinta intensidade'"? Difícil, não? Eu acho.
De outra forma, imagina aquela pessoa que ama, que se doa, que se dedica, que - a seu modo - ama intensamente, mas simplesmente não se sente confortável com as atitudes de amor que outras pessoas tentam lhe direcionar. Acredito que de uma forma pura, é raro encontrar alguém assim, mas em menor proporção muitas pessoas apresentam alguma dificuldade em receber amor. Seja por orgulho, por constrangimento, por medo, muitos recusam o amor que bate à sua porta e se esquivam.
E deste modo, vejo o "amor-transbordamento" como uma manifestação bastante interessante e coerente com o que se fala por aí sobre amor. Por "amor-transbordamento" eu compreendo aquele amor que surge dentro do ser que ama e transborda/irradia/espalha ao seu redor. É fluído, é gratuito, é autêntico. Independe do mérito do ser amado ou do que este tenha a oferecer em contrapartida. É amor que se doa. Utópico? Quem sabe...
Penso que, em meio ao caos em que se constrói nossa sociedade, muitas "coisas" estão defeituosas: Pessoas, valores, sentimentos e outros mais. Mas antes de levantar uma discussão moral, é interessante perceber que essa "programação cultural" tem nos tornado, enquanto seres humanos, diferentes dos nossos pais, avós, bisavós, etc.
Pensar e repensar a cultura que nos envolve e nos forma é fundamental, mas também é fundamental experimentar. Sentir, perceber, estar aberto às diversas formas de lidar com sentimentos. Permitir, conhecer, tentar criar laços de sociabilidade novos, baseados naquilo que acreditamos. É tempo de ousar, de construir a própria história e não apenas seguir modelos pré-concebidos. São novos tempos, são novas oportunidades. Por que não?
Fica a provocação no ar e infinitas reticências, afinal, quando se trata do humano e de suas relações, existem mais conjecturas do que certezas...
domingo, 10 de novembro de 2013
As pedras, as perdas
"Quando nada parece dar certo, vou ver o cortador de pedras martelando sua rocha talvez 100 vezes, sem que uma única rachadura apareça. Mas na centésima primeira martelada a pedra se abre em duas, e eu sei que não foi aquela que conseguiu isso, mas todas as que vieram antes".
(Jacob Riis)
Perco a conta das caixas de lenços de papel que tive de comprar nessa vida. Pior que isso. Não consigo fazer uma aproximação justa da quantidade de lágrimas desperdiçadas com causas e pessoas sem valor. Ops! Na verdade, essa percepção "desvalorizada" das causas e pessoas pelas quais já chorei geralmente chega atrasada. Explico. Às vezes, muitas das vezes, eu me acabo de chorar e fazer drama, me desespero e vivo um luto intenso para só depois fazer uma avaliação mais justa e ressignificar a dor da perda.
Em mim parece que dói mais a sensação de perder do que, de fato, o afastamento/a extinção de determinada relação ou situação. Acredito que isso tem a ver com o olhar, relativamente trágico, com que enxergo as relações. Digamos que as perdas que já vivi me fizeram condicionada para não acreditar na manutenção de nada. Entretanto, e contraditoriamente, a cada nova perda eu sofro, não simplesmente pela perda em si, mas pela repetição de todo um ciclo.
Aí vem a proposta da Gestalt-Terapia de fazer com que o sujeito (no caso eu) se aperceba. Mas, e porque tudo tem um "mas", não consigo até agora perceber o que me leva a associar uma perda com a outra. Será a sensação de rejeição e abandono? Será a perspectiva de perpetuidade desse ciclo de desejar, ter e perder? Será a falta de autoconfiança? Como romper isso? Como quebrar essa pedra?
Então me deparo com uma infinidade de interrogações para as quais minhas conjecturas não conseguem responder satisfatoriamente. Tenho andado entre pedras, mas por mais que eu tenha aprendido com as perdas, parece que ainda estou longe demais para superá-las. Sigo martelando por aqui, uma hora ou outra, elas hão de ceder. São tempos difíceis para os cortadores de pedras...
(Jacob Riis)
Perco a conta das caixas de lenços de papel que tive de comprar nessa vida. Pior que isso. Não consigo fazer uma aproximação justa da quantidade de lágrimas desperdiçadas com causas e pessoas sem valor. Ops! Na verdade, essa percepção "desvalorizada" das causas e pessoas pelas quais já chorei geralmente chega atrasada. Explico. Às vezes, muitas das vezes, eu me acabo de chorar e fazer drama, me desespero e vivo um luto intenso para só depois fazer uma avaliação mais justa e ressignificar a dor da perda.
Em mim parece que dói mais a sensação de perder do que, de fato, o afastamento/a extinção de determinada relação ou situação. Acredito que isso tem a ver com o olhar, relativamente trágico, com que enxergo as relações. Digamos que as perdas que já vivi me fizeram condicionada para não acreditar na manutenção de nada. Entretanto, e contraditoriamente, a cada nova perda eu sofro, não simplesmente pela perda em si, mas pela repetição de todo um ciclo.
Aí vem a proposta da Gestalt-Terapia de fazer com que o sujeito (no caso eu) se aperceba. Mas, e porque tudo tem um "mas", não consigo até agora perceber o que me leva a associar uma perda com a outra. Será a sensação de rejeição e abandono? Será a perspectiva de perpetuidade desse ciclo de desejar, ter e perder? Será a falta de autoconfiança? Como romper isso? Como quebrar essa pedra?
Então me deparo com uma infinidade de interrogações para as quais minhas conjecturas não conseguem responder satisfatoriamente. Tenho andado entre pedras, mas por mais que eu tenha aprendido com as perdas, parece que ainda estou longe demais para superá-las. Sigo martelando por aqui, uma hora ou outra, elas hão de ceder. São tempos difíceis para os cortadores de pedras...
sábado, 9 de novembro de 2013
A difícil arte de ser quem é
Ele, então, me perguntou: Amanda, você faz alguma coisa que realmente gosta?
Lembrei de uma frase muito forte a esse respeito: “Quem não se movimenta não sente as correntes que o prendem” – Rosa Luxemburgo. Acontece que muitas vezes, em decorrência da acomodação ao olhar e à vontade do outro, ficamos parados, imóveis, inertes. Ficamos subjugados, pois achamos que o conforto de agradar e ser aceito vale mais do que a satisfação de escolher e de ser quem somos. Não sei se esse é um problema e um desafio apenas para mim, mas infelizmente percebo-me muitas vezes em volta da escolha de me anular e anular minha vontade, para seguir a expectativa de outrem. Com o passar do tempo, de tão acostumada que estou, esqueço até mesmo o que realmente gosto e do que me dá prazer. E nessa hora de confusão, de desencontro, me vem uma forte dúvida: quem sou eu? Exercitar minha vontade, dentro dos limites sociais e legais, tem sido um importante desafio de auto-descoberta. Dizer não ou sim, conscientemente. Fazer o que me dá prazer sem me sentir incomodada ou culpada. Aprender a separar o "outro" do "eu", e a me focar mais no "eu". São tarefas que parecem primárias (e talvez sejam), mas para mim só tem sido, com algum custo, executadas agora. O medo da solidão, do abandono pode justificar esse comportamento, entretanto, perceber quão bom pode ser desfrutar o tempo consigo mesmo é algo libertador. Estou bem e feliz comigo mesma, posso estar acompanhada ou não. Posso escolher sair ou ficar em casa. Posso decidir o que vou fazer com meu tempo e recursos. Eu posso, eu escolho, eu decido. Longe de ser uma atitude egoísta, é um exercício de "ser".
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