"Miomas uterinos são tumores não cancerosos do útero, que muitas vezes aparecem durante a idade fértil. Os miomas uterinos não estão associados a um risco aumentado de câncer de útero e quase nunca se transformam em câncer. Esse tumor benigno atinge cerca de 50% das mulheres na faixa etária dos 30 aos 50 anos."
Este poderia ser um texto de sensibilização quanto aos cuidados que as mulheres devem ter com relação à sua saúde ginecológica, mas não é. Experimentei a avalanche emocional de ver um diagnóstico de um "problema simples e comum" se transformar em algo persistente para o qual medidas invasivas deveriam ser tomadas.
Não quero perder a dimensão do aspecto físico da coisa e, sim, hoje defendo arduamente uma postura de atenção à saúde e de prevenção de todo tipo de doença que seja possível prevenir. Mas não é só isso. Acredito que o corpo acumula em si as dores que o psíquico não consegue ressignificar, então receber um diagnóstico em um órgão feminino, responsável pelo abrigo da vida no corpo me fez estremecer.
Eu sei que o sistema de saúde público brasileiro é terrível e que o privado não se difere muito, mas tenho convicção de que não se deve "guardar doenças". Eu não tinha sintoma nenhum que me chamasse a atenção e imagino quantas pessoas sofrem dias e dias, com dores, com sintomas desagradáveis e simplesmente não procuram ou recebem a ajuda de que necessitam. Alguma coisa precisa ser feita a este respeito. Mas não quero também que o texto assuma o caráter político reivindicatório, hoje não.
Hoje eu quero falar que entre o físico e o psíquico existe outra dimensão, existe o espiritual. Não vou falar de milagres, de cura pela fé, de noções abstratas, mas do que se passou em mim. Recebi o diagnóstico de um tumor enorme em novembro de 2013. A ginecologista me tranquilizou e me receitou um tratamento hormonal bem simples, por seis meses, mas antes de concluir este prazo percebi que as coisas não estavam melhorando.
Em abril de 2014, ela fria e objetivamente me indicou um cirurgião. Falou das possibilidades de intervenção, enfatizando a cirurgia como melhor alternativa. Eu resisti, fiquei desesperada, saí atônita, não estava preparada para aquilo. Agora eu percebo que era o que poderia ser feito e, graças a Deus, foi.
O novo médico me propôs uma intervenção com um hormônio mais pesado, por três meses, ao que no fim o mioma continuava lá, intacto. Fiquei tão triste por não ter nenhum resultado diante de mais essa tentativa. Voltei ao médico. Uma dezena de exames pré operatórios, uma centena de perguntas sem resposta, apenas atenuadas com "não é nada", confusão.
E em meio à escuridão instalada em minha vida naquele momento, o dia começou a amanhecer. "Você é supersticiosa? Pode ser dia 13?" perguntava o médico. "Não, pode marcar." E a presença de Deus me trouxe de volta um sorriso nos lábios, um pouco de alívio de todo o caos. Poderia ter sido qualquer outro dia, mas Deus sabia que eu precisava da presença da Mãe naquele momento e me deixou sentí-la objetivamente.
Eu poderia falar da felicidade que foi poder contar com amigas que se revezaram para cuidar de mim, desde o momento da internação, incluindo assistir-me reclamando fome e sede, chorando, sendo cortada e tendo as entranhas abertas; do apoio quando da reação alérgica à dipirona e queda de pressão, das primeiras idas desastrosas ao banheiro, do banho, dos curativos, das visitas. Foram tantos momentos vivenciados que me fizeram sentir o amor de Deus para comigo e nada disso era esperado por mim, mas foi milimetricamente preparado por Ele.
Eu poderia falar da felicidade que foi poder contar com amigas que se revezaram para cuidar de mim, desde o momento da internação, incluindo assistir-me reclamando fome e sede, chorando, sendo cortada e tendo as entranhas abertas; do apoio quando da reação alérgica à dipirona e queda de pressão, das primeiras idas desastrosas ao banheiro, do banho, dos curativos, das visitas. Foram tantos momentos vivenciados que me fizeram sentir o amor de Deus para comigo e nada disso era esperado por mim, mas foi milimetricamente preparado por Ele.
Hoje, passado um ano daquele 13 de agosto de 2013, posso vislumbrar um pouco do que Deus tinha em mente com tudo isso. Não acho que Deus seja sádico, mas às vezes é necessário que uma situação mais extrema nos faça perder o controle e aprender a cultivar a fé.
Meu útero está aqui, se recuperando, sendo acompanhado e recebendo todo carinho e festa. E eu não consigo expressar com palavras tudo o que a vida me oportunizou viver este ano, do cuidado dos amigos, do tempo para mim, do amadurecimento espiritual, das conquistas afetivas, do amor próprio. Foi um corte que me fez chorar, entrar em pânico, mas que me trouxe de volta - ou apenas me trouxe - à vida.
Eu já passei pelo inferno algumas vezes, mas acredito que isso não precisa ser em vão, que se pode voltar melhor de lá a ponto de não precisar estar mais lá. Estou bem. Estou feliz. E sei que é só o começo de tantas e tantas histórias que ainda vou lhes contar.
#EuAcredito
#IBelieve

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