segunda-feira, 15 de abril de 2013

Primeiros passos



Às vezes tudo parece ir de mal a pior, o amor não vem, o sono se vai, o sol desaparece e o tédio se instala, o ônibus atrasa, a dança tropeça, o coração esfria e a música se perde!

A vida tem disso, nem sempre sai como planejado e quando perdemos as rédeas da nossa história o melhor é respirar fundo e tentar novamente... Reassumir nosso papel de condutores!

É fato que nós perdemos, por diversas vezes, no placar da vida, mas mais certo que isso deve ser nossa persistência em jogar novamente, arriscar tudo, seguir adiante...

A esperança, o amor, a luz, a dignidade, a fé e a honra existem naqueles que persistem apesar dos contratempos, que não desistem quando as tempestades se instalam, que ousam sonhar, que teimam em acreditar!

Os nossos atos geram consequências sobre a vida, cada um carrega consigo essa certeza. Se plantarmos, colheremos! E assim as revoluções acontecem... E assim é que transformamos a nós mesmos constantemente...

A oportunidade de semear nos é dada a cada instante e, junto com ela, as possibilidades de também nos (re)construirmos... É preciso ter coragem e dar o primeiro passo em direção ao lugar onde queremos chegar!

domingo, 31 de março de 2013

Monólogo diário

Você sabe, menina, que precisa se agarrar à vida, erguer sua cabeça, se encarar no espelho e se amar melhor? Você sabe, menina, que você é o centro do seu universo, que é ao redor de ti que o movimento se dá?

Você sabe, menina? Sabe qual é o seu valor? Sabe quantas pessoas queriam estar no seu lugar? Sabe admirar-se pelo que se tornou? Sabe compreender-se e perdoar-se naquilo que errou? Sabe fazer da sua vida tudo aquilo que sonhou?

Menina, você não sabe ainda, mas tudo isso vai passar. Tem alguém agora se esforçando muito para segurar forte a sua mão e te ajudar a atravessar esse trecho tenebroso; para ser seu guia no meio da escuridão e te dar todo o alento e cafuné que você tem demandado.

Sim, menina, eu estou aqui por você! Não vou te abandonar! Vou te proteger, vou te dar amor, vou te mostrar quão forte és. Vamos caminhar, crescer e aprender juntas! Eu estou contigo, menina, eu não desisto de você!

sexta-feira, 29 de março de 2013

Porque tem dias em que a alma dói...

Coisa mais complicada e chata é sair de um relacionamento. Cortar os vínculos que nos uniam a um ser pelo qual tínhamos sentimentos é algo muito doloroso que, na maioria das vezes, altera, ainda que por pouco tempo, o funcionamento "normal" de nós.

Ao longo do meu caminho até aqui experimentei as mais diferentes formas de separação: familiares, colegas de classe, amigos de infância, amigos de adolescência, amigos da fase adulta, primeiras paixões, primeiros amores, namorados... Todos eles tiveram como fim comum o fato de desaparecerem.

Ainda que ao deixar uma relação nutramos a doce ilusão de "manter contato", minha vida até hoje tem sido prova de que com o rompimento do convívio cotidiano, pouca coisa resta para unir duas ou mais pessoas que decidiram se afastar. Creio que isto está muito mais ligado à natureza dos laços afetivos do que à verdade ou não existente neles.

Hoje estou aqui compartilhando do meu tempo e das minhas palavras para tentar exorcizar a última experiência com a qual me comprometi, que embora tenha durado pouco, me fez aprender muita coisa e está me fazendo muita falta.

E muda muito depois que o ente amado bate a porta na nossa cara (ou nós fazemos isso com ele, não importa de que parte a iniciativa) e vai embora. Dói quando aquela pessoa que diz que sempre estará ali por nós, some, desfaz laços, destrói os canais possíveis e existentes de comunicação.

O vazio que fica depois daí parece não poder ser preenchido por nada. As madrugadas (como esta em que lhes escrevo) parecem intermináveis e a vida parece perder a cor. Mas existe uma esperança, isto passa. O luto, tão comum e esperado após uma perda significativa, tem seu momento de ser e após se concluir o processo de cura pela perda, mais uma vez estamos aí prontos para viver, aventurar, desbravar os caminhos do coração, amar novamente.

Segurança, certeza, perpetuidade? Considero ingênuo acreditar nisso para as relações humanas (os traumas que me ligam à esta descrença ainda não foram superados?), mas acredito que deve haver sim, mesmo diante da quase impossibilidade própria da efemeridade dos vínculos, comprometimento e busca dos envolvidos na relação a tornar aquele momento duradouro e investir nele como se realmente fosse durar para sempre.

Nestes tempos de Facebook, aprendemos várias filosofias de panfleto que são disseminadas incessantemente pela rede, dentre elas tem uma que eu gosto bastante: "Ou soma ou some". De minha parte, começo a acreditar que o que vale a pena em nos relacionarmos é o fato de podermos construir algo em comum com o outro, algo só nosso, que some à nossa experiência humana algum valor, algum aprendizado. E quando isto não acontece não há muito a fazer ou esperar da outra pessoa senão o sumir.

Mesmo sabendo que é muito difícil e doloroso lidar com a perda (e eu posso afirmar isto pelo que sinto neste exato momento), talvez apenas com a dor da partida e do distanciamento é que possamos reunir forças para nos reinventarmos e seguirmos adiante. E em meio às cicatrizes oriundas das tentativas de nos relacionarmos é que ganhamos condições evolutivas de nos adaptarmos melhor ao convívio social, à troca de afetos, ao amor.

No final de tudo isto, como eu li em determinado livro, quando o discípulo está pronto o mestre aparece. Nada do que se vivencia, de bom ou mau, é em vão. Tem que haver uma razão de existir tanta dor e desencontro, há de haver em tudo isto uma lição maior, um treino, um preparo para algo que ainda não se pode vislumbrar, mas é certo que vai requerer todo aprendizado acumulado. Contudo, não quero defender que é apenas com a dor ou a perda que aprendemos e evoluímos, mas antes quero compartilhar meu momento atual, em que meu crescimento está associado a estes fatos.

Então, como forma de perdão, de catarse ou do que queiram chamar, gostaria de permitir a todas as pessoas que se foram da minha vida, por escolha delas ou minha, que recebessem minha declaração de perdão e de agradecimento, por tudo o que contribuiram para eu me tornar a cada dia mais forte, mais próxima de maiores desafios, de maiores afetos, de uma vida mais completa, na qual eu esteja pronta para vivenciar tudo o que a condição humana me potencializa a ser.

sábado, 23 de março de 2013

Entre janelas e pontos finais...

Passeando pelas janelas da vida, percebo que simplesmente não se pode "criar inspiração" para homenagear ou xingar alguém. Há alguns dias queria muito dedicar algum tempo e escrita a alguém que vinha povoando meus dias de luz e de doçura, contudo algo me segurava e me dizia que não era o momento.

Talvez o momento seja agora. Ou pelo menos vou tentar fazer o melhor que puder para falar, não de flores, mas de desapego.

Estamos neste mundo sob o jugo (in)visível da efemeridade, tudo passa. O tempo deixa, quando muito, lembranças, as quais nem sempre serão propagadas, mas findarão junto com a nossa materialidade humana.

E isto não se resume aos objetos, à concretude de forma geral, mas abrange o intangível dos afetos, das emoções, das relações que travamos.

O despontar deste ano me trouxe a linda oportunidade de me aprofundar nas nuances pálidas do desapego. Experimentei a estranha sensação de tentar não me apegar a alguém que, em todos os sentidos, cativava meu afeto, mas também despertava meu desejo de controle.

E, por fim, sabendo que assim transcorreria entre nós, chega o momento deste alguém partir. As entranhas doem, o choro é inevitável, o desejo de permanência é resistente, mas como prender as águas do mar entre os dedos da mão?

Não é da natureza do mar se deixar aprisionar e, (in)felizmente, já não sou uma criança que pode bater o pé, fazer birra e exigir a satisfação imediata da vontade. No mundo dos adultos o respeito deve valer mais do que ouro e a liberdade, então, não há com que comparar.

Desta feita, eu abro a mão, permito fluir, consinto à água me banhar e a deixo ir...

Não sei aprisionar, nem me contentar com o cativeiro de quem aprecio, mas abro sempre os braços e permito que entre eles possam estar os que ali se sintam confortáveis com meu abraço. 

E o mar? Ah, sempre haverão outras águas, outros, outros e outros momentos, sempre haverá um dia depois do outro, até que não haja mais nada para ver pelas janelas desta vida reticente, mas cheia da necessidade de pontos finais...

quinta-feira, 21 de março de 2013

Dançando no ar...











Dançar sempre foi fonte de prazer e de contentamento em minha vida. Lembro da menininha cujos olhos brilhavam ao ver uma apresentação de ballet e que sonhava, silenciosamente, em ser assim quando crescer. Lembro das apresentações no colégio, lindas e ingênuas coreografias das músicas da Xuxa, da Mara e de outras, nem tão ingênuas assim, mais tarde na adolescência. Lembro das apresentações na igreja, do divertidíssimo improviso no Ministério de Dança. Tudo sempre tão levemente feliz. Dançar para mim sempre foi assim: momentos de leveza, de contentamento, de deixar fluir corpo, música, energia... Embora por alguns momentos a vida, e algumas pessoas, tenham me levado ao afastamento do ato de dançar, a dança sempre esteve presente em minhas memórias, em minhas analogias, entre minhas paixões. Apesar do meu jeito tímido de ser, da minha vergonha excessiva, da minha falta de jeito e de outras trapalhadas, nunca desisti de tentar. Em 2010, graças ao incentivo de um querido amigo, criei coragem de me aventurar numa dança que, até então, não tinha tido coragem suficiente de me lançar: a Dança do Ventre. De lá para cá foram muitos aprendizados, desafios infindáveis, muita determinação, muita vontade e alguma disciplina. Amanhã estarei mais uma vez estreando num palco, um pouco mais formal desta vez, mas mais do que qualquer deleite ou vaidade, subirei lá e dançarei o meu melhor, simplesmente para desafiar a mim mesma, aos meus limites e perceber que eu posso sim... dançar, voar, ser eu mesma. E que não será qualquer outra pessoa que me ditará os limites do que eu posso ou não fazer!